terça-feira, 2 de julho de 2013

O que falar perante a morte?

Téo Bernardes
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Quando encontramos uma pessoa, inconsolável, triste por um ente que faleceu, o que é mais aconselhável para um cristão numa conversa com uma pessoa nesse estado?

Já perdi amigos em acidentes e tragédias, e tive amigos que perderam gente amada assim também. Antes de expor fortes argumentos, amar é primordial. Um abraço, um carinho, a presença ali ao lado, chorar junto. Sem isso, palavras são recusadas; com isso, palavras são opcionais. A vida é frágil, mas sonhamos de tal forma que não, que quando acordamos parece um pesadelo. Antes de tudo, poder conviver uns com os outros é um privilégio, um presente eterno que nunca termina, apenas está dividido em duas etapas - uma pior e passageira, e a outra melhor e eterna (se conhecemos Jesus). É sem fundamento nos revoltarmos contra Deus, porque Ele sofreu uma perda maior que nós - Jesus - e da forma mais covarde que a humanidade já viu. E foi para melhor. O Deus que nos consola, portanto, tem credenciais para isso, porque sabe como ninguém o que é perder alguém que se ama. Mas... Deus não poderia ter, então, evitado a nossa perda? Sim, poderia, mas eu acredito que Deus, assim como nós, também tem o desejo de estar mais pertinho de quem se ama. Será que sabemos dividir com Deus as pessoas que Ele nos deu e que ambos amamos? Lembro-me de meu sobrinho que aos 4 anos de idade perdeu a avó e, no velório, ao olhar para o caixão florido, de repente disse: "Olha, mãe! Ela está indo pra Jesus numa caixa com flores! Ela é um presente para Ele!". Mas... e a saudade que vamos sentir? Meu amigo, a saudade é o maior combustível da vida, ela nos impulsiona para vidas dignas que aceleram para o alegre reencontro final. E o maior jeito de acalmar a saudade é reproduzir em você mesmo o que mais amava na pessoa que agora está melhor.